ECONOMIA E PRECIFICAÇÃO
Quanto cobrar por manutenção de jardim: como calcular o seu preço
POR A SELVA, COM JEAN FRANCIS ·
Resposta curta: o preço da manutenção de jardim sai de uma conta, não da tabela do vizinho. Some o que você precisa tirar no mês e o que a empresa gasta, divida pelos dias que você de fato fatura e chegue no custo do seu dia. Depois coloque imposto e margem por cima, e cobre pelo tempo que o serviço ocupa de porta a porta, não só pelo tempo de máquina ligada. Abaixo está a conta inteira, com exemplo.
Os 3 tipos de jardineiro na hora de dar preço
Na aula de precificação da Selva, o Jean abre com uma pergunta: pega o último serviço que você fez e responda se você sabe que ganhou dinheiro nele, ou se acha que ganhou.
- O que cobra o que o mercado cobra. Às vezes ganha, às vezes perde, e não sabe qual.
- O que cobra quanto acha que vale. Sempre sai com a sensação de que não foi bem pago.
- O que cobra pelo custo real. Sabe qual é o piso e qual é a margem.
Este artigo é pra você sair do grupo 1 ou 2 e entrar no 3.
Por que copiar o preço do concorrente não funciona
Sites de orçamento mostram faixas largas: de R$ 80 a R$ 200 por visita em jardim pequeno até R$ 400 a R$ 900 por manutenção completa de jardim médio (FreelaSemCrise, Cronoshare). Servem só pra saber se você está muito fora.
Você não sabe o custo do concorrente. Ele pode ter máquina paga há cinco anos, morar perto do cliente e ter filho ajudando sem receber. Se você copia o preço dele, pode estar trabalhando de graça.
Nos Estados Unidos, onde o setor é grande e organizado, o fundador da LMN, Mark Bradley, referência em preço para empresas de paisagismo, resume assim: o serviço custa o que custa (Landscape Ontario). Se o mercado não paga o seu custo, você tem três saídas: ficar mais eficiente, explicar melhor o valor ou deixar aquele serviço pra outro. Cortar a própria margem não está na lista.
Passo 1 · O custo do seu dia
São três números.
- A · Quanto você precisa tirar por mês. Não o que você ganha hoje: o que paga as contas da sua casa. Se você não põe o seu salário no preço, você é empregado de um patrão que não te paga.
- B · Quantos dias você fatura no mês. Desconte chuva, visita de orçamento que não fechou, máquina na oficina, pneu furado. A maioria dos jardineiros que passam pela Selva fatura entre 15 e 20 dias, mesmo trabalhando todo dia.
- C · Quanto a empresa gasta no mês, mesmo no mês fraco: combustível, manutenção e desgaste das máquinas (uma roçadeira de R$ 1.200 que dura 4 anos custa R$ 25 por mês), EPI e uniforme, celular, contador, IPVA e seguro do carro divididos por 12.
Custo do dia = (A + C) ÷ B
Exemplo da aula, com números ilustrativos:
| item | valor |
|---|---|
| A · Quanto preciso tirar | R$ 3.000 |
| C · Custos da empresa | R$ 1.500 |
| B · Dias faturados | 18 |
| Custo do dia | R$ 250 |
Esse é o piso. Abaixo dele, você paga pra trabalhar.
Passo 2 · Imposto e margem por cima
O imposto sai da nota, então tem que estar no preço. No MEI, a guia é fixa, mas pode haver ISS quando você emite nota. No Simples, cada nota leva um percentual. Confirme o seu com o contador.
A margem é o que paga a próxima máquina, o mês de chuva e o crescimento. Use pelo menos 20%.
Preço do dia = custo do dia ÷ (1 − imposto − margem)
No exemplo, com 6% de imposto e 20% de margem: R$ 250 ÷ 0,74 = R$ 338 por dia. Atalho que o Jean usa em aula: custo do dia × 1,35.
As empresas grandes chegam no mesmo lugar por outro caminho. Os consultores americanos montam o preço de baixo pra cima: mão de obra com encargos, depois o custo do escritório e do caminhão, depois o lucro (LMN, Aspire). No benchmark anual da Herring Group, 10% de lucro operacional é a linha que separa quem vai bem de quem só sobrevive (Landscape Management).
Passo 3 · Cobre a hora comercial, não a hora técnica
Esse é o erro que mais tira dinheiro do jardineiro.
- Hora técnica é o tempo com a máquina ligada.
- Hora comercial é o tempo de porta a porta: ida, descarregar e montar, executar, recolher o resíduo, ir ao descarte, voltar.
O cliente paga a hora comercial. Exemplo da aula de produtividade da Selva, num corte de 300 m²:
| etapa | tempo |
|---|---|
| Execução (máquina ligada) | 3h |
| Ida e volta | 1h |
| Carga, descarga e limpeza | 0,5h |
| Descarte | 0,5h |
| Total de porta a porta | 5h |
Aproveitamento: 3h ÷ 5h = 60%. Na aula, a maioria dos jardineiros mediu entre 45% e 65%.
Agora veja o preço com um custo de R$ 100 por hora:
| forma de orçar | conta | preço |
|---|---|---|
| Pela hora técnica | 3h × R$ 100 | R$ 300 |
| Pela hora comercial | 5h × R$ 100 | R$ 500 |
Os R$ 200 de diferença não são lucro extra. São custo real que você estava pagando do bolso.
Lá fora é igual. O consultor Jim Huston separa a hora paga de porta a porta da hora no cliente (Lawn & Landscape), e a associação americana do setor recomenda não cobrar todo serviço pela mesma hora (NALP).
Passo 4 · A regra do turno
Cliente pediu duas horas de serviço. Você cobra duas horas? Mas saiu de casa, gastou combustível e ocupou o dia.
Na FOCO, empresa de serviços terceirizados do mesmo grupo da Selva, com mais de 100 colaboradores e R$ 10 milhões por ano, a regra é simples: até 3 horas de serviço, cobra meia diária; acima de 3 horas, diária cheia. Você não é aplicativo de corrida, não cobra por minuto. Cobra pelo compromisso do dia.
Nos Estados Unidos, a plataforma de corte de grama GreenPal trabalha com visita mínima pelo mesmo motivo, e mostra que a visita quinzenal custa mais por visita que a semanal, porque a grama cresce mais entre uma e outra (GreenPal).
Passo 5 · Faça o raio-X da sua carteira
Pegue os cinco principais clientes do mês e anote, pra cada um: quanto cobra, quantas horas de porta a porta ocupa e quanto gasta de ajudante, material e deslocamento. Depois classifique:
- lucrativo: fica;
- no limite: precisa de reajuste;
- prejuízo: reajusta ou sai.
Um membro da Selva tinha 11 clientes e descobriu que a maioria dava prejuízo quando entrou na conta o deslocamento longo, o ajudante com encargos e o salário dele. A virada foi entender que crescer não é somar clientes que custam. É trocar cliente ruim por cliente bom.
Se você tem ajudante
Diária de ajudante não é o custo do ajudante. Quem trabalha toda semana com você pode pedir reconhecimento de vínculo, e aí entram férias, 13º e FGTS. A conta da Selva usa cerca de 33,77% de encargos sobre o salário no Simples Nacional, mais insalubridade quando a convenção da sua região pede. Coloque isso no preço do cliente, não no seu lucro, e confirme os números com o contador.
Margem fina não perdoa
O Grupo GPS, maior empresa de serviços terceirizados do país, fechou o segundo trimestre de 2025 com margem líquida de 3,6% sobre mais de R$ 4 bilhões de receita (Nord Investimentos). Se até quem tem escala vive de margem apertada, quem tem um carro e uma roçadeira não pode errar a conta. E o setor mostra isso: o Sebrae do Paraná registra mortalidade de 23,85% entre as empresas de jardinagem e paisagismo (Sebrae PR).
Os 5 erros mais comuns
- Cobrar o que o mercado cobra.
- Esquecer o próprio salário.
- Ignorar o que não sai do bolso todo dia: desgaste da máquina, carro, EPI, deslocamento.
- Não colocar o imposto no preço.
- Dar desconto antes de o cliente pedir. Silêncio do cliente não é objeção.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar por hora de jardinagem? O piso é o seu custo do dia dividido pelas horas comerciais do dia, com imposto e margem por cima. Cobre pela hora de porta a porta, não pela hora de máquina ligada.
Devo cobrar por metro quadrado? O metro quadrado serve pra prever o tempo. Meça quantos metros você faz por hora no seu equipamento e transforme em horas de porta a porta. É a hora que paga a conta.
Quanto cobrar por um serviço curto, de uma ou duas horas? Use a regra do turno: até 3 horas, meia diária. O deslocamento e a montagem existem mesmo no serviço pequeno.
E se o cliente achar caro? Pergunte qual valor ele esperava e ofereça mudar o escopo (menos frequência, área menor), não o preço por visita. Desconto sem troca ensina o cliente a pedir de novo.
Próximo passo
Faça a conta com os seus números hoje: são 20 minutos. Depois cronometre três serviços da semana, de porta a porta, e descubra o seu aproveitamento.
Na comunidade A Selva, essa conta é o primeiro passo de todo membro, com o Jean Francis e o time. Conheça a comunidade.
COMUNIDADE A SELVA
Você sabe cuidar do jardim. Agora precisa aprender a cuidar do negócio.
Na Selva, jardineiros e donos de empresa de jardinagem aprendem a cobrar certo, vender melhor e crescer com margem.
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